Os Fungos Micorrízicos Arbusculares (FMAs) não são apenas componentes do solo; eles desempenham um papel central na saúde e no equilíbrio dos ecossistemas naturais e agrícolas.
Ao estabelecerem uma associação simbiótica com as raízes das plantas, estes organismos atuam como verdadeiros bioestimulantes naturais, promovendo:
Ampliação da absorção de nutrientes;
Aumento da tolerância a estresses hídrico e salino;
Incremento fundamental na produtividade agrícola (Tomazelli et al., 2022).
Entender a dinâmica dos FMAs é, portanto, essencial para quem busca aliar alta produtividade com preservação ambiental.
A Importância dos FMAs na Agenda Global (Green Deal e EFSA)
A relevância desses organismos ultrapassou as barreiras acadêmicas e hoje é amplamente reconhecida nas agendas ambientais internacionais. Um destaque especial vai para as metas do European Green Deal.
A EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos) destaca que os FMAs compõem uma parcela significativa da biomassa microbiana do solo. Por conta disso, a entidade recomenda a inclusão destes fungos como organismos não-alvo em avaliações toxicológicas de pesticidas (Scientific Opinion, 2017). O objetivo é proteger sua função ecológica vital na manutenção da fertilidade e do funcionamento dos ecossistemas.
Avaliação de Risco Ambiental (ARA) e Metodologias
No campo da Avaliação de Risco Ambiental (ARA), a ciência já avançou para metodologias ecotoxicológicas precisas. Estes métodos avaliam parâmetros cruciais, como:
Colonização micorrízica;
Germinação de esporos.
O foco é identificar se um determinado insumo agrícola compromete a simbiose planta–fungo. Entre os avanços mais notáveis nesta área, destacam-se os protocolos propostos por Mallmann et al. (2018), e os estudos subsequentes de Malfatti et al. (2021; 2023) e Klauberg et al. (2023). Estes trabalhos têm sido fundamentais para padronizar e fortalecer a avaliação dos impactos de insumos sobre a microbiota do solo.
O Protagonismo do Brasil na Ciência Regulatória
É importante ressaltar que o Brasil é reconhecido como um país pioneiro nesses estudos.
O grupo de pesquisa da UDESC contribuiu de forma significativa para o avanço metodológico global ao aprimorar o protocolo proposto por Mallmann et al. (2018), focado especificamente na avaliação dos efeitos de contaminantes sobre a germinação de esporos de FMAs.
Esse protagonismo científico não apenas evidenciou a sensibilidade desses fungos a diferentes produtos agrícolas, como também forneceu bases sólidas para discussões internacionais que ganharam força na última década.
Conclusão: Solos Vivos para o Futuro
Preservar os FMAs significa garantir solos mais vivos, produtivos e resilientes. Em um cenário global de demanda crescente por sustentabilidade e conformidade ambiental, entender e proteger esses organismos é fundamental para o futuro da agricultura e para a segurança dos ecossistemas.
Referências Bibliográficas
Mallmann, G. C., et al. (2018). Placing arbuscular mycorrhizal fungi on the risk assessment test battery of plant protection products (PPPs). Ecotoxicology, 27(7), 809-818.
Malfatti, A. D. L. R., et al. (2021). Ecotoxicological test to assess effects of herbicides on spore germination of Rhizophagus clarus and Gigaspora albida. Ecotoxicology and Environmental Safety, 207, 111599.
Malfatti, A. D. L. R., et al. (2023). Risk assessment tests of neonicotinoids on spore germination of arbuscular mycorrhizal fungi Gigaspora albida and Rhizophagus clarus. Journal of Soils and Sediments, 23(3), 1295-1303.
Tomazelli, D., et al. (2022). Inoculation of arbuscular mycorrhizal fungi improves growth and photosynthesis of Ilex paraguariensis (St. Hil) seedlings. Brazilian Archives of Biology and Technology, 65, e22210333.
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